DOMÍNIO DOS RELIGIOSOS NAS RÁDIOS DE JOÃO PESSOA

31/Agosto/2008

Na capital da Paraíba, os evangélicos são donos de várias rádios AM e FM. Os católicos perdem nessa disputa pela dominação radiofônica. Vejam só a aberração: a única rádio dita comunitária existente em João Pessoa, a Cruz das Armas FM, transmite no domingo, de 7 às 9 horas, a missa católica, e de 9 à meia noite programas de evangélicos, dessas igrejas “pegue-pague”. Quer dizer, aluga o domingo inteiro a programação para religiosos. Enquanto isso, verdadeiras rádios comunitárias lutam para obter a licença de funcionamento, e muitas já foram fechadas e tiveram seus equipamentos apreendidos, como foi o caso da Rádio Comunitária Diversidade FM, do bairro Jardim Veneza.

(E-mail de José Vasconcelos Sobrinho)


Deus e o diabo nas rádios comunitárias

31/Agosto/2008

Por Dioclécio Luz 
 
 
Infiel, observai o teu nariz melecoso, olhai para tua pele coberta de escarras, teu bolso cheio de larvas pútridas e te curva ao poder do clero. Liga o rádio e escuta a mensagem de Deus, falando do poder da igreja, das glórias da igreja; falando do supremo, onisciente e absoluto poder da igreja. E aí então, quem sabe?, te convenças de que a igreja fala em nome de Deus.

Em nome de Deus, as igrejas estão ocupando as rádios comunitárias. O poder é terreno, a riqueza é terrena, o dinheiro é terreno, a cobiça é terrena, mas os argumentos são baseados numa pretensa designação divina. O catolicismo e diversas denominações evangélicas estão usurpando o que pertence ao povo, em especial as emissoras comunitárias. A lei das rádios comunitárias nº 9.612/98 diz claramente, nos artigos 4º e 11º, que é proibido o proselitismo, isto é a pregação, a catequese, a difusão de cultos. Diz também que a emissora não pode ser dominada ou ter relação subalterna com instituição religiosa. Não é o que se vê neste mundo.

Ah, mas Deus é grande. Tão grande que consegue cegar as autoridades responsáveis pela concessão de autorização e os agentes da Anatel (geralmente tão eficientes) que atuam na fiscalização de conteúdo. Só uma explicação milagrosa e debochada como esta para justificar a existência de tantas rádios comunitárias nas mãos de credos, religiões e seitas religiosas, com autorizações carimbadas pelo Ministério das Comunicações (Minicom).

O Estado tem uma religião

Os casos são escancarados. No Distrito Federal, por exemplo, na cidade-satélite de Taguatinga, a primeira rádio comunitária a receber concessão está instalada numa igreja, a Catedral da Casa da Benção. A entidade é presidida pela mãe de um deputado distrital, Júnior Brunelli, o qual, por acaso, dá nome ao estúdio principal e tem lá sua foto com seu imenso sorriso pregado na porta. Tudo errado, portanto. O Minicom, porém, cego por um milagre de Deus – desse Deus, pelo menos – não conseguiu ver que a entidade que conseguiu a rádio, a Associação Casa da Bênção, é uma instituição religiosa e, por isso, dar a concessão para ela seria um ato ilegal. Mas deu.

São segredos que habitam o “mistério” das Comunicações há pelo menos 500 anos. O Minicom não percebeu, por exemplo, que a Igreja Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro, que conseguiu e obteve uma concessão de rádio comunitária, é uma igreja. Todo mundo sabe que aquilo (grande e rico) ali é uma igreja católica, os fungos que freqüentam o lugar percebem que aquilo é uma igreja, o cheiro de vela, os velhos adornos e os santos são de igreja católica, mas o Minicom não viu.

Como ocorreu isto do Minicom não ver que uma igreja é uma igreja, mesmo quando ela é imensa, rica, e está instalada num dos bairros mais nobres e famosos da cidade do Rio de Janeiro? Mistérios do poder.

Ainda no Rio de Janeiro, no município de São Gonçalo, tem outro caso. Uma “rádio comunitária” da igreja católica – autorizada e funcionando, integra a católica Rede Aliança de rádio. Um papel pregado na parede, carimbado pelo Minicom, porém, diz que ela é comunitária e, portanto, não derruba avião. A programação, naturalmente, é proselitista, católica, catequista… Isso é ilegal? Claro. Duas entidades disputavam a concessão para o lugar: esta rádio transgênica (comunitária-católica) e uma outra, comunitária de verdade, construída pela comunidade. Como o Estado brasileiro tem uma religião oficial (o catolicismo), o Minicom decidiu naturalmente ceder a concessão à igreja católica.

O crucifixo na Câmara

Talvez estas emissoras, falsas comunitárias, de tanto falarem em Deus tenham adquirido o dom da invisibilidade para o Estado brasileiro. Só assim se explicaria o fato da Anatel também não conseguir vê-las. A Anatel, que tem visitado rádios comunitárias e multado algumas boas por inserirem publicidade (conforme avaliação subjetiva e pessoal do agente), não consegue ouvir estas rádios que só falam de Jesus e Bento 16 (se é que há alguma relação entre os dois personagens).

O fato é que isso não tem nada a ver com divindade. A questão é política. O que há é uma batalha pelo poder. E a igreja usa seu poder e sua pretensa representação de Deus na terra para se dar bem, ampliando seu prestígio e seu patrimônio. Como faz há 2 mil anos. Não tem nada de novo nisso.

Ocorre que, como se nota, o Estado brasileiro não é laico (Montesquieu ainda não chegou ao Planalto). Deveria ser, mas não é. A Igreja católica ataca pelos dois lados. Sustenta uma banda dita progressista, com seus ícones de boa fé, e vai até o povo, impondo seus dogmas e seu poder, o que é aceito pela esquerda brasileira. A direita, porém, sabe que a Igreja sempre foi e será sua aliada; antes e depois de Ratzinger. E assim, as duas bandas da Igreja estão sempre no poder.

(Sugestão de pauta para uma mídia corajosa: o poder da Igreja católica nos tempos atuais. Em Brasília, uma catedral estabelece que ela é a única religião presente na Esplanada dos Ministérios; a igreja ocupa os melhores espaços das principais avenidas, W3 Norte e Sul, L2 Norte e Sul, onde montou templos e seus negócios de educação – as escolas; ela tem poder suficiente no Minicom para conseguir concessões de emissoras educativas e comunitárias, mesmo contra a lei. O plenário da Câmara dos Deputados tem, ao fundo, um crucifixo, símbolo maior da Igreja católica, lembrando aos parlamentares quem manda ali).

Quem ousaria dizer “não”?

Hoje, a Igreja católica é dona do maior latifúndio de rádios do país. Quase 600, no total. Possui rádios educativas, comerciais e até comunitárias. Só de rádios comunitárias, tem algo em torno de 300 concessões. Uma entidade especial foi criada dentro da CNBB (ícone intocável da esquerda brasileira) para usurpar o que pertence ao povo, a Associação Nacional Católica de Rádios Comunitárias (Ancarc). Isso de tomar as rádios comunitárias que pertencem ao povo é ilegal, é imoral, indecente, mas é fato.

A mesma CNBB se apresenta no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional como “representante da sociedade civil”. E é aplaudida por parte da esquerda por criticar o modelo de comunicação, o latifúndio da comunicação; exatamente o que ela tem de mais sagrado.

As intenções da Igreja são claras. E não são de hoje. Por exemplo, de 9 a 11 de junho de 2003, a ANCARC e a CNBB realizaram, no Santuário Maria de Schoenstatt, em Atibaia, São Paulo, o “1º Congresso Brasileiro de Radiodifusão Comunitária e Educativa” e o “7º Encontro Nacional de Rádios Comunitárias”. O objetivo: “priorizar o rádio como instrumento de evangelização, entendendo que a notícia que fala da vida e de esperança é também evangelizadora”. Isto é, fazer nas rádios comunitárias aquilo que a lei proíbe.

Como a Igreja conseguiu as concessões, mesmo indo contra a lei? Graças ao seu imenso poder. Questionar isso? Como? Quem – esquerda ou direita – ousaria dizer “não” à Igreja? Entende-se o medo. Afinal, dizer não à Igreja significa ser criticado nas paróquias, nas igrejas, por todo país. E assim – com estas ameaças aos governantes – ela vai aumentando seu patrimônio terreno e eletromagnético.

Omissão e inação

Ainda recentemente, dois pesquisadores – Venício Lima e Cristiano Lopes – apresentaram estudo comprovando uma verdade conhecida de quem atua na área: o Ministério das Comunicações e o Palácio do Planalto atuam sob influências políticas e religiosas. E fica por isso mesmo.

Por conta dessas e outras, o movimento das rádios comunitárias tem bem claro que o papel pregado na parede, a autorização oficial, não credencia a emissora como comunitária. É somente um papel concedido pelo Estado. Serve para segurar a repressão, mas não vale como comprovante de que a rádio seja decente. Algumas boas rádios, claro, têm esse papel na parede, outras boas rádios lutam por isso, mas elas, as boas rádios, sabem que isso não prova nada. Ou, pelo menos não prova o que deveria ser seu objetivo, que ela é comunitária.

Será que um dia – quem sabe, antes do Apocalipse – as poucas pessoas de boa vontade neste governo (uma dúzia?) conseguirão fazer com que o Estado reconheça o direito à comunicação de todo ser humano, e não apenas dos ricos? Ninguém crê nisso. Pelo andar bovino da carruagem em meio ao brejo, é ilusão esperar algo do governo Lula para as rádios comunitárias. Afinal, desde a posse ele tem feito tudo que é possível para tornar pior a situação. É paquidérmica a omissão e inação do governo diante do que ocorre no mundo cá fora, onde os viscondes e barões instalados no Palácio jamais ousariam pôr seus delicados pezinhos.

Ambição sem limites

É preciso reconhecer, porém, que o movimento nacional errou ao não investir na base, capacitando as rádios comunitárias, cristalizando junto ao povo o conceito de rádio comunitária, identificando as mobilizações mais honestas e denunciando as desonestas, as picaretárias. Infelizmente, alguns líderes não quiseram dar o saber e o poder ao povo. O movimento errou ao não denunciar e desqualificar, logo no início, a pretensão da Igreja católica de se apossar das rádios comunitárias; optando pelo silêncio, ou, o que é pior, em nome da jogatina política, em alguns momentos fazer parceria com entidades como a Ancarc, uma aberração na área. Errou, como muitos de boa intenção, ao acreditar que o governo Lula, mesmo com suas enrolações, fraquezas, burrices, grosserias, repressões, um dia iria fazer algo pelas rádios comunitárias. Por conta desses erros, proliferaram as picaretárias, nas mãos de empresários, espertalhões, igrejas, políticos – coisas que o que o movimento não aceita.

Felizmente, em contraponto a estas aberrações, aqui e ali pontuam rádios comunitárias de qualidade, construídas pelo povo, pela comunidade organizada, ensinando o que é comunicação popular, democracia, direito humano.

Errar, porém, é humano. Desumano, anti-cristão, é uma instituição fazer uso do seu poder e, apelando para argumentos cristãos, tomar para si o que pertence a todos. Se existe cristianismo, ele está bem longe destas instituições que se tornaram ricas e poderosas às custas do povo e ainda insistem na ampliação deste poder. Uma ambição sem limites. Em alguns lugares, liga-se o rádio ou a TV e só há pregações, missas, sermões, cultos. Ocupar a rádio comunitária é um crime que a história não esquecerá.

Zaratustra, filho alucinado de Nietzsche, se perguntaria: é Deus ou o Diabo quem ocupa as ondas do rádio e da TV?

Ó meu Deus, quem te fala é um ateu. /Responde por carta ou manda um email, /Telefona, manda um recado. /Vai, me diz, seja justo: /Da igreja e sua cobiça quem nos salva?


Evangélicos são beneficiados com canal de rádio comunitária em Fortaleza

31/Agosto/2008

Há 15 anos servindo à comunidade do Conjunto Palmeiras e entorno – funcionando primeiro com alto-falantes e só nos últimos 3 anos através de frequência modulada – a Rádio Santo Dias, de Fortaleza (CE), foi fechada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) há dois meses.
Desde que passou para o “dial”, a rádio recebeu várias visitas da Anatel, com ameaças constantes de apreensão de equipamento. Em 2001 foi lacrada e ficou 3 meses fora do ar, até que seus locutores resolveram continuar o trabalho e a reabriram por conta própria. Há um ano e meio, a Santo Dias pediu a concessão da frequência 87,9 FM – mas ao invés de regularizar a situação da comunitária, a agência lacrou o transmissor novamente e multou a Rádio em R$ 1.858,00 pelo rompimento do lacre em 2001.
A política da Anatel para as comunitárias é confusa. A Rádio Santo Dias, por exemplo, não conseguiu a concessão apesar dos 15 anos de funcionamento na comunidade; já a Rádio Comunitária Maranata FM, com seus poucos meses de vida, adquiriu rapidamente a frequência 87,9 FM – justamente a mesma em que funcionava a Santo Dias. A Maranata FM é de propriedade de evangélicos sob orientação do Pastor Calebe.


PRENDERAM TODOS OS PASTORES!

30/Agosto/2008

A Polícia Militar de Cachoeirinhas (RS) entrou na Rádio Renascer, comandada por um Coronel. Na rádio estavam 3 locutores que foram presos e levaram todos os equipamentos, incluindo o transmissor de 150 watts, sem mandado de busca e apreensão. A Brigada Militar ainda prendeu meus pastores, que ficaram 48 horas na Polícia Federal. Foram algemados e presos no quartel até a chegada da Polícia Militar.  Não paguei a fiança deles. Tive que fugir porque é a segunda vez que a rádio é apreendida. Agora estou foragido, eu e minha esposa Catiele. A Polícia quer nos prender. O que faço agora? Nunca vi a Brigada Militar prender rádio FM comunitária sem a Anatel.

OBS: Isso aconteceu no dia 24 de setembro de 2007, na cidade de Cachoeirinhas, Rio Grande do Sul. O aflito pastor diz que sua rádio é comunitária, mas não é. Operava com potência de 150 watts e destinava-se exclusivamente a fazer proselitismo religioso.  Não se justifica a truculência policial nem a prisão dos pastores, mas é preciso que o movimento de rádios comunitárias reflita e procure tomar uma posição a respeito de falsas comunitárias como esta, que enodoam ações libertárias tão bonitas de quem realmente pensa em rádio comunitária de verdade.
A Rádio Renascer atendia no telefone (051) 3438.2296, e operava na freqüência 100,1 MHZ. renacer@hotmail.com
www.renacerfm.com.br


CORONELISMO ELETRÔNICO EVANGÉLICO

29/Agosto/2008

 

Serviço público ou proselitismo religioso?

A tese de Figueredo Filho demonstra que, a exemplo do ocorre também em relação às outorgas de rádios comunitárias [ver, neste Observatório, "Rádio comunitárias – Coronelismo eletrônico de novo tipo"], número expressivo das concessionárias das emissoras de rádio e televisão (aberta) e RTVs está vinculado a entidades religiosas. E mais ainda: seus representantes são atores políticos que atuam de forma articulada no Congresso Nacional nas questões referentes às políticas públicas de comunicação e na formação, manutenção e ampliação da suas redes de rádio e televisão.

Obviamente os evangélicos não são o único grupo religioso concessionário do serviço público de radiodifusão. E a utilização de concessões públicas não é a única forma de atuação de grupos religiosos na mídia.

A questão que precisa ser discutida, no entanto, é se um serviço público que, por sua própria natureza, deve estar “a serviço” de toda a população pode continuar a atender interesses particulares de qualquer natureza – inclusive ou, sobretudo, religiosos.

Observatório da Imprensa


RÁDIO COMUNITÁRIA RECEBE VISITA DO EMBAIXADOR DA UNIÃO EUROPÉIA

28/Agosto/2008

O sr. João Pacheco, Embaixador da União Européia no Brasil, estará chegando à Paraíba em 29 de agosto, ocasião em que visitará alguns projetos sociais, entre eles o projeto “É de Lei”, da ONG Amazona, que trabalha na divulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, e que recebe apoio da União Européia.

            Um dos projetos é o da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, entidade parceira da Amazona, que receberá a visita do embaixador. Conforme Andrezza Ribeiro, da Rádio Zumbi, essas parcerias têm como objetivos principais melhorar a qualidade de vida das comunidades carentes, enfrentando o declínio urbano, com as más condições de habitação, criminalidade, exclusão social etc.

            O projeto “É de Lei” vai doar um computador à Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares para que os jovens participantes deste projeto de comunicação popular possam trabalhar as modernas técnicas de informática no rádio.

            A parceria entre a Amazona e a União Européia vem se destacando como uma referência da Cooperação Internacional entre as coletividades locais latino-americanas e européias, sempre com o foco nas dimensões da democracia local e da participação cidadã.

         Em recente discurso, o Embaixador João Pacheco afirmou que “uma iniciativa bastante relevante realizada no âmbito da cooperação com o Brasil foi o Programa Infância Desfavorecida no Meio Urbano, que propiciou a realização de 23 projetos implementados por organizações não governamentais”. O Programa inclui também a prestação de assistência técnica e capacitação das organizações e tem o objetivo de melhorar as condições de vida de crianças e adolescentes de quatro centros urbanos: Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. 

         Na Paraíba, a ONG Amazona trabalha com esses mecanismos de cooperação com a União Européia, de combate à exclusão social e apoio à criança e adolescente.  

CONTATO: Andrezza – (83) 8883.6208


Manifesto da Mídia Livre

27/Agosto/2008

Brasil, setembro de 2009.
O setor da comunicação no Brasil não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo.
A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos.
Não se pode mais aceitar que os movimentos sociais que conquistaram muitos dos nossos avanços democráticos sejam sistematicamente criminalizados, sem condições de defesa, pela quase totalidade dos grupos midiáticos comerciais. E que não tenham condições de informar suas posições com as mesmas possibilidades e com o mesmo alcance à disposição dos que os condenam.
Um Estado democrático precisa assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham expressão pública. E isso não ocorre no Brasil, em que menos de uma dezena de famílias controla a quase totalidade dos meios de comunicação, numa prática explícita de monopólios e oligopólios – que seguem sendo realidade embora proibidos pela Constituição Federal.
Também precisa criar um amplo e diversificado sistema público de comunicação, produzido pelo público, para o público, com o público. Tal sistema deve oferecer à sociedade notícias e programação cultural para além da lógica do mercado.
Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de expressão e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. E ela só se dá quando cidadãos e grupos sociais podem ter condições de expressar idéias e pensamentos de forma livre, e de alcançar de modo equânime toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade.
Para que essa luta democrática se fortaleça, apresentamos a seguir propostas debatidas e aprovadas entre os cerca de 400 participantes do 1° Fórum de Mídia Livre, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro nos dias 14 e 15 de junho de 2008.
Ficam estabelecidos os seguintes compromissos:
1.    Promover uma campanha e mobilização social pela democratização das verbas publicitárias públicas, com a realização, entre outras, das seguintes ações:
- Desenvolvimento, pelo Fórum de Mídia Livre e organizações parceiras, de critérios democráticos e transparentes de distribuição das verbas públicas que visem à democratização da comunicação e que se efetivem como legislação e políticas públicas;
- Proposta de revisão dos critérios e “parâmetros técnicos de mídia” (tais como custo por mil etc.) utilizados pela administração pública, de forma a combater os fundamentos exclusivamente mercadológicos e viabilizar o acesso a veículos de menor circulação ou sem verificação;
2.Promover outras políticas públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade por meio do fomento à produção e à distribuição;
3.Cobrar do Executivo federal que convoque e dê suporte à realização de uma Conferencia Nacional de Comunicações nos moldes das conferências de outros setores já realizadas no país.
4.Lutar pelo estabelecimento de políticas democráticas de comunicação, na perspectiva de um novo marco regulatório para o setor que inclua um novo processo de outorga das concessões, a democratização e universalização da banda larga e o fortalecimento das rádios comunitárias.
5.Criar uma ferramenta colaborativa que reúna diversas iniciativas de mídia livre e contemple a diversidade de atuação dos veículos e dos midialivristas, em formato a ser aprimorado nos próximos meses pelo grupo de trabalho permanente e aprovado no próximo Fórum de Mídia Livre;
6.Mapear as diversas iniciativas da mídia livre visando o conhecimento sobre a realidade do setor e o reconhecimento dos diversos fazedores de mídia;
7.Propor a implementação de pontos de mídia, como política pública, integrados e articulados aos pontos de cultura e veículos comunitários, viabilizando, através de infra-estrutura tecnológica e pública, a produção, distribuição e difusão de mídia livre;
8.Buscar espaços para exibição de conteúdo produzido por movimentos sociais na TV pública;
9.Incentivar a consolidação de redes de produtores de mídia alternativa, a começar da comunicação interna (listas de discussões) e externa (portal na web) dos próprios integrantes do Fórum de Mídia Livre, que deve funcionar como rede flexível, difusa e permanente.
10.Estimular a criação e fortalecimento de modelos de gestão colaborativa das iniciativas e midias, com organização não-monetária do trabalho, por meio de sistemas de trocas de serviço.
Em função destes compromissos, nos propomos a:
- realizar encontros de mídia livre em todos os estados brasileiros no segundo semestre de 2009;
- realizar um Fórum de Mídia Livre de alcance Latino-Americano ou mundial em Belém, às vésperas do Fórum Social Mundial, em janeiro de 2009;
- realizar no segundo semestre de 2009 o II Fórum de Mídia Livre Brasil, com indicativo de Vitória (ES) como sede;
- somar-se às entidades de luta pela democratização na luta por uma conferência ampla, democrática e descentralizada, passando a integrar a Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação;
- envolver os movimentos sociais nas ações pelo fortalecimento da mídia livre;
- agendar em âmbito federal, estadual e municipal reuniões com o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário para apresentar as reivindicações tiradas no Fórum;
- criar o selo Mídia Livre para estar em todos os veículos, blogues etc. que se identificam e reconhecem como mídia livre;
- realizar ato público de rua em Brasília, com pauta e mobilização conjunta com outros movimentos da comunicação e outros movimentos sociais, articulado com a entrega do manifesto aos três poderes, como parte de semana de mobilização que contará também com ações de guerrilha midiática e viral.

Fórum de Mídia Livre


Guia orienta rádios comunitárias nas eleições 2008

26/Agosto/2008

Um guia informativo com orientações sobre a veiculação de propaganda eleitoral foi elaborado pela Agência de Cultura e Comunicação Comunitária – Rede-Com – para auxiliar e facilitar o trabalho das rádios comunitárias durante o processo de eleições em 2008. O material foi organizado pelo consultor da agência Joaquim Carvalho, orientado pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. O arquivo, em PDF, pode ser baixado no endereço:

http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=277609


UM RADIOAMANTE DE PORTUGAL

26/Agosto/2008

Todos aqueles que na vida tiveram a oportunidade de trabalhar em rádio, independentemente daquilo que se faça numa emissora, com certeza que entendem a emoção na voz cada vez que se soletra a palavra Rádio. Eu fui mordido por esse “bichinho” quando aos 16 anos entrei pela primeira vez num Estúdio de Rádio acompanhado por um amigo que tinha o seu “espaço”, foi amor à primeira vista na idade em que todas as loucuras são permitidas. Sem me aperceber da “Paixão pela Rádio”, voltei a acompanhar o meu amigo e pouco tempo depois já era eu o sonoplasta do seu programa. Mais tarde, enquanto Ouvinte de uma estação emissora desloquei-me à mesma, acompanhado por um amigo, para me tornar sócio do Clube de Amigos da mesma. Nessa altura não só me tornei sócio como fomos convidados a trabalhar na Rádio. Como é de adivinhar não há palavras que exprimam o sentimento vivido naquele momento… nem o sentimento de desgosto vivido mais tarde quando foram encerradas e levadas a concurso as rádios locais não tendo sido esta legalizada !…O “bichinho” nunca morre e como tal tem de ser alimentado de alguma forma, a maneira que eu arranjei para o alimentar foi criar no Cotonete uma rádio pessoal e dar-lhe o mesmo nome bem como, fazer uma homenagem a quem tantas horas de alegria me deu. Esta homenagem é uma página da web com o nome e os sons da Rádio Onda Livre da Amadora. http://rola.nuno.miguel.googlepages.com/
A todos um grande Abraço!


CONFERÊNCIA DE DIREITOS HUMANOS NA PARAÍBA

26/Agosto/2008

CONVITE

ALEXANDRE GUEDES – Presidente da Comissão Organizadora do III- CEDH tem a honra de  convidar V. Sa para participar   da  III Conferencia Estadual de Direitos Humanos da Paraíba,  que se realizará  no  Centro de Ensino da Policia Militar  situado  na R. Dr. Cel. Francisco de Assis Veloso S/N Mangabeira VII- João Pessoa PB, com  seguinte programação:

28-08-2008 (quinta-feira) :             18:00h.-  Recepção dos Convidados, Parceiros, colaboradores e credenciamento dos  participantes .

                                                        19:00H – Cerimônia de abertura solene, pronunciamento das autoridades, organizadores e convidados  e show do Cantor e Compositor  Vital Farias.

29-08-2008(sexta-feira) : 8:30h às :9.30h.–  Aprovação d Regimento Interno

                                                        09:45 – Instalação dos  Grupos de Discussão dos Eixos Temáticos.

                                                  12:30 – Almoço

                                                      14:30  as 17:30 – Continuação dos Grupos de Discussão dos Eixos Temáticos 30-08-2008(sábado):                    0 9:00h. as 11:00 ( debates, eleição dos delegados  e relatório final)

                                                    11:30h (Cerimônia de Encerramento – Apresentação Grupos  Culturais )

João Pessoa, Paraíba, Brasil, 24 de agosto de 2008.

ALEXANDRE GUEDES

PRES. DO GT-II-CEDH

alexandreguedes11@gmail.com

INFORME – III DA CONF. ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS

Informamos a todas e todos neste período de preparação de nossa III-CEDH  que já temos  garantida toda a infra-estrutura necessária para a sua realização. Hospedagem e alimentação no Centro de Ensino da Policia Militar  para 60 (sessenta) pessoas que vierem do interior do Estado,  e alimentação para 90 (noventa) pessoas (participantes da capital, Grupo de Trabalho  e Equipe de apoio) perfazendo 150 (cento e cinqüenta pessoas)  durante a sua  realização.

Está sendo providenciado transporte para os participantes se deslocarem do interior para a capital. E na capital da Rodoviária de João Pessoa  para o local do evento e de volta para a rodoviária e daí para a cidade de origem.

Aos participantes do Interior precisamos saber quem quer se hospedar e da capital quem quer se alimentar no local,  pedimos que façam contato urgentemente  até o dia 26//08/2008 por email abaixo ou pelos fones;(83) 8808-4324, 9983-6119 (Alexandre Guedes)  (83)9149-6809 (Saulo Gimenez). (83) 3221-8479 – (Fátima).

Visando  finalizar o processo de organização realizaremos as seguintes reuniões do GT -III-CEDH- na sede do CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS –CEDDHC no seguinte  endereço e telefone

25/08/2008 (Segunda)- 16h  Reunião no  CEDDHC reunião do GT-III CEDH com colaboradores e parceiros.

27/08/2008 –(quarta)  16h   Reunião no CEDDHC  para distribuir equipes de trabalho para a III CEDH.

Srs(as) Coordendores(as) e Relatores(as): para   adquirir o material informativo e teórico  para o desenvolvimento dos temas nos Grupos de Discussao dos Eixos Temáticos,  consultem  os seguintes sites: www.11conferenciadh.com.br / www.direitos.org.brwww.datasus.gov.br