Minicom demonstra disposição em realizar Conferência Nacional de Comunicação

30/Outubro/2008
29/10/2008 |
Jonas Valente
Observatório do Direito à Comunicação

 

Durante o ano de 2007, entidades envolvidas com a luta pela democratização da comunicação realizaram intensa mobilização pela realização de uma conferência nacional para a área. Em outubro do mesmo ano, o Ministério das Comunicações promoveu no Congresso Nacional evento que ganhou o nome de Conferência Preparatória das Comunicações, indicando que tal iniciativa faria parte de um processo de preparação para o evento oficial nos moldes de outras conferências já realizadas pelo governo federal sobre temas como saúde, segurança alimentar e direitos das mulheres.

Ao final da conferência preparatória, representantes do Ministério das Comunicações afirmaram que a pasta estava comprometida com esta causa. No entanto, desde então pouco ou nada foi dito por membros do governo federal sobre a viabilidade da proposta. Algumas declarações, como as do ministro da Secretaria de Comunicação Social do Governo (Secom), Franklin Martins, vinham apontando na direção contrária, sugerindo que tal processo deveria ser convocado pelo Legislativo.

Em uma aparente inflexão, na semana passada o ministro das comunicações, Hélio Costa, afirmou em cerimônia de inauguração da TV Digtal na cidade de Curitiba que sua pasta está comprometida com a realização da Conferência. A fala do ministro foi motivada por manifestantes de sindicatos e entidades da cidade que estiveram presentes ao ato com faixas e dizeres pela convocação imediata da Conferência Nacional.

Segundo Costa, sua equipe estaria apenas esperando o final do segundo turno para instensificar as articulações junto ao Congresso, uma vez que o presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), Walter Pinheiro, estava disputando a segunda etapa do pleito na cidade de Salvador. A anuência do Legislativo foi apontada por Costa como condição à realização da Conferência.

Em entrevista a esta Observatório, o consultor jurídico do Ministério, Marcelo Bechara, disse que Câmara e Senado têm importância política como co-organizadores do processo mas, fundamentalmente, são aqueles que podem garantir os recursos para concretizar a iniciativa. A CCTCI reservou R$ 20 milhões em seu orçamento no Plano Pluri-Anual 2008-2011 para a Conferência. No entanto, é preciso que estes recursos sejam previstos nas Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada anualmente pelo Congresso.

“É real que os parlamentares precisam incluir na Loa o dinheiro previsto no PPA para a Conferência, mas isso não exime o governo da responsabilidade de garantir a verba para realizar a conferência. Quando há vontade política, o Executivo aprova no orçamento aquilo que considera importante”, coloca Carolina Ribeiro, do Coletivo Intervozes.

Outro ponto destacado por Bechara é a necessidade do processo ser amplo, abrangendo municípios e estados para culminar em um evento nacional. Tal formato, que reproduz os modelos das outras conferências do governo federal, vem sendo defendido pela Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação desde seu documento de fundação, em junho de 2007.

“Para as organizações que compõem a comissão, a capilaridade da Conferência é fundamental para que o debate seja efetivamente amplo e democrático. A afirmação do governo sobre a necessidade do processo abranger os municípios e estados é positiva, pois acompanha a concepção que vem sendo defendida pela Comissão Pró-Conferência desde sua criação”, completa a representante do Intervozes.

Compromisso assumido

Para Celso Schroeder, coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), as falas recentes de Hélio Costa e de outros representantes do Ministério das Comunicações reafirmam disposição já assumida anteriormente mas marcam uma inflexão frente à omissão e ao silêncio sobre o tema que imperaram nos últimos doze meses. Uma vez recolocado o compromisso por Hélio Costa, continua, é preciso passar das palavras à ação.

“Entendo as sinalizações do ministro como continuidade do compromisso e não acredito que ele estaria empenhado em vão. Estamos apostando nisso só que tempo está cada vez mais curto e nós temos que realizar ainda este ano instalação do grupo do trabalho”, pondera o representante do FNDC.

A expectativa das organizações da Comissão Pró-Conferência é que a convocação ocorra o mais rápido possível por meio da publicação de um Decreto que também estabeleça como instância organizadora um Grupo de Trabalho composto por integrantes dos ministérios relacionados ao tema, por associações de empresários e por entidades sindicais, ONGs e movimentos sociais ligados ao assunto.

Próximos passos

Mesmo antes das declarações do ministro, as entidades da Comissão já haviam iniciado a organização de um novo encontro nacional para articular os segmentos, organizações e forças sociais que lutam pela causa. O evento está agendado para o dia 2 de dezembro na Câmara dos Deputados. Além de ampliar a organização dos setores progressistas para ampliar o coro pela realização da Conferência, a Comissão irá realizar incursões junto ao Executivo para pressionar pela sua convocação ainda neste ano.


Comissão da Câmara aprova oito canais digitais para emissoras públicas

30/Outubro/2008
29/10/2008 |
Redação
Folha Online

 

Os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara aprovaram nesta quarta-feira (29) um projeto de lei que assegura oito canais na TV digital para órgãos públicos e educativos. A proposta, que tramita em caráter conclusivo –não precisa de aprovação em plenário–, segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça antes de ir para o Senado.

O projeto confirma a programação digital do Senado, Câmara, STF (Supremo Tribunal Federal), Executivo Federal (um para a TV pública e outra para o próprio Palácio do Planalto), além de canais para Educação, Cultura e Cidadania.

Prevê ainda a possibilidade de compartilhamento dos canais do Senado e da Câmara com outras instituições para a veiculação de programação das assembléias legislativas estaduais, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e das câmaras municipais.

TV Digital

A TV digital possui uma tecnologia de transmissão que oferece melhor qualidade de imagem, permite acessar TV por dispositivos portáteis, como celular ou notebook, e, no futuro, interagir com os programas.

As transmissões digitais começaram oficialmente em São Paulo em dezembro de 2007. A previsão do governo é que, até 2013, chegue a todos os municípios. O sinal analógico continuará a ser transmitido até 2016.


Documentário sobre rádios comunitárias

30/Outubro/2008

Clique aqui para assistir o Documentário “Democratização FM”, sobre a atuação das Rádios Comunitárias no país.  Total: 1 hora e 10 minutos.  Link: http://www.youtube. com/results? search_query= democratiza% C3%A7%C3% A3o+fm&search_type=&aq=f Se algo der errado, é só digitar “democratização fm” no sistema de buscas do site YouTube (www.youtube.com). Abraços e beijos! Lucas Krauss. ALELUIA.


Polícia Federal criminaliza rádios comunitárias

30/Outubro/2008

Caros Companheiros!!!

 Gostaria de informá-los que no dia 26/08/2008 fui “convidado” a comparecer no Departamento de Policia Federal de Brasília/DF para prestar esclarecimentos sobre o ofício n° 2288ª/08-DPF/URA/MG da Polícia Federal de Uberaba/MG, originado do IPL 483/06-DPF/URA/MG, no ofício indicava algumas perguntas a serem realizadas:

 1)      Conhece a entidade ABRAÇO?

2)      Desde quando?

3)      Qual a sua atividade naquela entidade?

4)      Facilita de alguma forma que rádios clandestinas voltem a funcionar mesmo sem autorização da ANATEL?

5)      Estimula de alguma forma resistência a ordens judiciais? Ou seja, defende que as rádios resistam à ordem judicial de busca e apreensão?

6)      Foi o autor do e-mail de fls. 20?

7)      Em caso negativo como o senhor explica que tal e-mail foi encaminhado ao Procurador da República?

8)      Qualquer outro questionamento julgado pertinente pela autoridade deprecada.

 Para recordação, esse inquérito surgiu por uma manifestação constantes em um email que provavelmente eu tenha enviado para diversos grupos de discussão da internet, sobre o caso das apreensões ocorridas em Uberaba/MG e o pedido de prisão da Companheira Fátima Gomes.  http://74.125.45.104/search?q=cache:9DOenkSqM6UJ:listas.rits.org.br/pipermail/cris-brasil/2005-July/002566.html+%22maria+de+f%C3%A1tima+gomes%22+alerta&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=6&gl=br

 Graças ao trabalho o trabalho que desenvolvemos como Dr. Gleibe Terra a companheira Fátima (Presidente da ABRAÇO/MG) foi absolvida da denuncia de colocar rádio comunitária no ar sem outorga governamental http://processual-mg2.trf1.gov.br/Processos/ProcessosSecaoOra/ConsProcSecaopro.php?SECAO=UB&proc=200538020019390

 Insatisfeitos com o resultado da demanda, agora buscam a responsabilização de dirigentes da ABRAÇO Nacional (mesmo estando fora da coordenação nacional desde 12/2007)

 Não satisfeitos com o processo de resistência de nossa emissoras comunitárias por todo o Brasil o MPF, ANATEL e PF iniciaram uma perseguição a nossas lideranças regionais (os casos de Horizontina/RS e Teixeira de Fritas/BA são emblemáticos), do ano passado para cá a intenção é responsabilizar as lideranças nacionais, uma afronta as garantias constitucionais e criminalização do Movimento Social.

 Divulgar esse fato é fundamental neste momento que se debate a questão do MST e Via Campesina, para demonstrar a prática dos órgãos de repressão.

 ABRAÇO FORTE

 JOAQUIM CARVALHO


III Encontro de Comunicação Comunitária do Rio de Janeiro

26/Outubro/2008

7 e 8 de novembro na ECO/UFRJ – Praia Vermelha

Organizado pelo LECC (Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária da UFRJ), o III Encontro de Comunicação Comunitária discutirá as questões teórico-reflexivas e as de intervenção prática relacionadas à comunicação alternativa no cenário carioca. Uma das principais características deste encontro é fortalecer o diálogo entre a academia e representantes dos movimentos sociais e projetos alternativos de mídia. O evento acontecerá em dois dias:
07/11/08, sexta – 10h às 19h – Palestras, manifestações artístico-culturais, grafitagem, eventos musicais e coquetel de lançamento de livros. Este ano o tema central das palestras – e dos livros que serão lançados após as palestras – gira em torno das teorias e práticas contra-hegemô nicas da comunicação e da cultura.08/11/08, sábado – 9h às 18h – Oficinas de Cinema Radical; Rádio Livre e Jornal Popular. Cineclube. As oficinas ocorrerão na ECO de manhã e continuarão no Alemão, em Ramos, à tarde, em parceria com o Grupo Sócio Cultural Raízes em Movimento, fazendo o intercâmbio entre a academia e a comunidade, o que acreditamos ser fundamental num projeto prático-teórico de comunicação comunitária, um dos objetivos da atuação do LECC. Haverá ônibus da UFRJ fazendo o transporte de ida e volta entre a ECO e o Alemão e será oferecido um lanche.
 Inscrições para palestras e oficinas: http://leccufrj. wordpress. com/Atenção: vagas limitadas!
 
Programação completa:
07/11 sexta – Auditório Anízio Teixeira
10h às 12h
Muniz Sodré (ECO/UFRJ)
Adriana Facina (Observatório da Indústria Cultural – UFF)
Cláudio Baltar (Intrépida Trupe)
Jailson de Souza (Observatório de Favelas)
Mediação: Raquel Paiva (LECC)

12h Roda de Funk no Sujinho
Grafitagem ao longo do dia

13h às 15h
Luciano Rocco (Revista Ocas)
Patrícia Saldanha (Publicidade Comunitária – ECO/UFRJ)
Márcia Correa (Intervozes)
Marcello Salles (Fazendo Media)
Mediação: Nemézio Amaral Filho (LECC)

15h30 às 17h30
Adailton Medeiros (Ponto Cine)
Natália Fiche (Teatro na Prisão)
David Amen (Raízes em Movimento)
Carmen Luz (Cia. Étnica de Dança)
Mediação: Eduardo Granja Coutinho (LECC)

18h Coquetel de lançamento de livros (Raquel Paiva, Cristiano Henrique, Eduardo Coutinho, Bruno Fuser)
Banda Favela Blue (samba, baião, blues  e rock)

08/11 – sábado
9 às 12h na ECO
Oficinas de:
- Cinema Radical
- Rádio Livre
- Jornal Popular

13h às 16h
- Continuação das oficinas no Alemão em parceria com o Grupo sócio cultural Raízes em Movimento
Lanche e transporte incluídos
16h Cineclube


The Economist: obrigatoriedade do diploma é resquício da ditadura

26/Outubro/2008

Outubro 25, 2008 
 Em artigo publicado na edição desta semana, a revista The Economist classificou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista como sendo um resquício da ditadura militar no Brasil.

 A revista também citou que a questão está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal e que o ministro da Educação estaria pensando em permitir que graduados em qualquer área poderiam exercer o jornalismo, “norma que, ainda assim, excluiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

 ”Quando a lei que estipula a obrigatoriedade foi introduzida em 1967, serviu como um caminho útil para evitar que pessoas que pudessem trazer problemas (à ditadura militar) expressassem suas opiniões”, diz o artigo.

 O artigo questiona o posicionamento de Celso Schröder, recentemente empossado presidente da Federação Latino-Americana de Jornalistas.

 Para Schröder, “‘a qualidade do jornalismo no Brasil sofrerá se as regras forem modificadas’”.

 ”Grande parte do jornalismo brasileiro é bom e independente, particularmente quando comparado com a mídia do México ou da Argentina. Mas isso está menos relacionado com o diploma que com a competitividade do mercado de jornais e revistas”, diz a revista.

 O problema que afeta o jornalismo brasileiro, para a The Economist, é o grande número de “políticos” que são donos de veículos de comunicação.


Fausto Wolff e o diploma de jornalista

26/Outubro/2008

Diploma de jornalista:
“Daqui a pouco exigirão diploma para músicos, pintores, poetas,
escritores!!!”
(Fausto Wolff)

Continente – Você iniciou no jornalismo muito cedo, aprendendo no dia-a-dia
da redação. Acredita que a imprensa no Brasil melhorou, após a
obrigatoriedade do diploma?

Fausto Wolff – O diploma só deveria ser exigido para quem tem
responsabilidades sobre a vida humana: médicos, químicos, físicos,
engenheiros. O resto é ridículo. Daqui a pouco exigirão diplomas para
músicos, pintores, poetas, escritores. Além do futebol e da música, o
jornalismo era uma das poucas profissões acessíveis a um filho do
proletariado. Se houvesse exigência de diploma, eu não poderia ser
jornalista, pois só pude estudar até a segunda série ginasial. Aliás, nem
eu, nem o Jaguar, o Millôr, o Paulo Francis… Hoje, qualquer idiota, que
não serve para nada, se forma em jornalismo, e a imprensa é esta que vocês
têm aí. Vou responder da seguinte maneira: o diploma ajuda o candidato a
jornalista, mas a obrigatoriedade é ridícula e cruel, pois parte do
princípio de que só é capaz quem se formou nessas máquinas de ganhar
dinheiro e excluir o povo. Einstein não se formou em nada, e o inventor do
alfabeto era analfabeto.

Fausto Wolff em entrevista à Revista Continente, de Pernambuco,
provavelmente em 2003.
Leiam na íntegra, aqui: http://www.olobo.net/index.php?pg=artigos&artid=1037


Perseguição política na rádio comunitária de Mari (PB)

23/Outubro/2008

Radialista lamenta atitude de diretor de Rádio Comunitária de Mari

O radialista Manuel Batista disse à redação do BLOG que está decepcionado com o diretor da rádio Araçá FM, rádio comunitária de Mari. Segundo Manuel, ele não esperava que Severino Ramo expulsasse no ar, durante seu programa semanal, o radialista Silvano Silva que até então era repórter e apresentador de programas na emissora comunitária e que ainda dissesse que a emissora era sua e que outros radialistas seriam expulsos por ter colocado a voz no guia eleitoral do prefeito eleito de Mari Antonio Gomes, “fiquei triste e decepcionado pelo que ouvi no último sábado durante o programa de Severino Ramo, diretor da rádio comunitária Araçá FM, quando expulsou no ar o radialista Silvano Silva, disse que expulsaria outros mais e que a emissora era dele”, disse.

Para Manuel Batista, o repórter Silvano Silva é um dos fundadores da emissora, com citação em livro escrito por Fábio Mozart sobre a Rádio Comunitária de Mari. Com saída de Silvano, ficaram vagos dois programas e a reportagem da emissora, o que comprometeu a programação e qualidade da rádio.

O radialista Manoel Pedro, que apresentava o programa jornalístico Liberdade de Expressão, foi forçado a deixar o programa também, já que colocou sua voz no guia eleitoral de Antonio Gomes. Segundo Manoel Pedro, a direção da emissora proibiu que ele realizasse entrevistas com os prefeitos eleitos porque “ele queria tirar proveito pessoal”. A perseguição, o ódio da derrota e o desespero é grande dentro da direção da Araçá FM de Mari. O presidente da rádio, Severino Ramos, foi candidato a vereador e não se conforma com a derrota.

Da redação de MixMari


Conferência de Mídia Cidadã marca Semana pela Democratização no Recife

22/Outubro/2008

De 16 a 18 de outubro, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi sede da IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã. O evento reuniu mais de 300 pessoas no campus do Recife da Universidade, tendo sido realizado pela primeira vez fora de São Paulo. Promovida pela Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, a Conferência foi organizada este ano pelo Observatório de Mídia Regional da UFPE com o apoio de várias organizações sociais e de outras faculdades.

O evento marcou a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação na capital pernambucana. Como em outros estados, o Mídia Cidadã fez também a sua atividade pela convocação imediata da Conferência Nacional de Comunicação. Em um ato público, que contou com a participação do Deputado Federal Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), os participantes da Mídia Cidadã produziram uma grande tela grafitada com o pedido de convocação assinado por várias entidades presentes no evento.

De acordo com Edgard Rebouças, Coordenador do Observatório da Mídia Regional e organizador do evento, esta tela será encaminhada ao Ministério das Comunicações como forma de reiterar o clamor pela realização da Conferência Nacional de Comunicação e de sensibilizar o Ministro Hélio Costa para a convocação imediata deste processo.

Experiências alternativas

A Conferência de Mídia Cidadã este ano teve como objetivo promover o diálogo entre movimentos sociais, o Estado, o mercado e a academia sobre as diferentes experiências de mídia relacionadas à promoção da cidadania, que podem ser entendidas como uma forma de comunicação comprometida com as questões sociais e com a promoção do direito à comunicação e dos demais direitos humanos.

Para discutir o tema, a Conferência contou com presenças de importantes referências nos estudos críticos da comunicação, como o professor belga radicado na França Armand Mattelart, a professora Michèlle Mattelart e o ativista americano John Downing, autor do livro Mídia Radical, famoso entre os militantes da causa.

A principal tônica dos trabalhos e relatos de experiências apresentados durante o encontro foi a construção de processos midiáticos que podem ser considerados alternativos às produções tradicionais. Para Edgard Rebouças, o Mídia Cidadã pode sim ser considerado um sucesso, pois conseguiu nos seus três dias cumprir seus principais objetivos.

“Tivemos aqui a convivência de trabalhos acadêmicos com produções populares, alternativas e independentes. Esta foi a grande riqueza do encontro. Tivemos três dias de intensa troca de experiências, todo mundo aqui saiu sabendo mais um pouco mais sobre uma nova experiência e fazendo contato com uma nova pessoa ou entidade”, avalia Rebouças.

Feira de mídia cidadã

Estas experiências foram reunidas em uma Feira da Mídia Cidadã, que expôs pela primeira vez iniciativas e projetos de comunicação desenvolvidos por organizações sociais, comunidades, estudantes, professores e profissionais envolvidos com diferentes formas democráticas de comunicação.

“A feira surgiu da necessidade inicial de apresentar os trabalhos de mídia cidadã desenvolvidos no estado de Pernambuco para os demais participantes da Conferência e acabou sendo um importante espaço de experimentação e de quebra do modelo único de apresentação formal de trabalhos científicos em grupos de discussão”, diz Patrícia Cunha, do Observatório de Mídia Regional.

Nas barracas montadas no hall do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco durante dois dias, forama apresentadas diferentes experiências na forma de vídeos, fotos, cartilhas, grafites, livros, músicas e conversas. Além dos participantes da Conferência, a feira envolveu também estudantes de outros cursos que puderam conhecer diferentes maneiras da produção midiática. Experiências como as da Escola Kabum, do Ventilador Cultural, do Coletivo Gambiarra, do Blog Boivoador, do Coletivo Intervozes, do Conselho Federal de Psicologia e de projetos de extensão da UFPE deram um pequeno panorama do mundo da mídia cidadã.

Estudantes da UFPE apresentaram na feira o projeto de extensão Coque Vive, que intervém na comunidade do Coque, uma das mais pobres e mais violentas do Recife. O projeto, coordenado pela professora Yvana Fechine, existe há dois anos e é uma parceria da Universidade com o Núcleo de Educação Irmãos Menores Francisco de Assis.

A iniciativa surgiu com a intenção de dar cursos de leitura crítica da mídia a partir das demandas apresentadas pelos jovens. Como resultado, foram oferecidas oficinas de fotografia, vídeo, rádio, fanzine e produção de blogs. Rafaela Vasconcellos, 23, monitora do projeto e estudante do oitavo período de jornalismo, diz que para ela o Coque deixou de ser um lugar que ela via quando passava pelo viaduto Joana Bezerra para ser os meninos e as meninas do projeto.

Os resultados são sentidos sobretudo por estes jovens, que passaram a ter uma outra relação com a comunicação e com a Universidade. Monique França, 18 anos, moradora da região, diz ter tido seu primeiro contato com a UFPE por meio do projeto Coque Vive e hoje é estudante do segundo período de turismo da instituição.

“Antes a Universidade era uma coisa distante da gente. A maioria das pessoas na favela acha que nunca vão crescer na vida, que não vão entrar na universidade. Eu acho que enquanto você se vê como um marginal, nunca vai mudar a forma como as pessoas vêem você. Eu hoje estou aqui e quero ser uma monitora também do projeto, quero sempre poder contribuir com uma iniciativa que foi muito importante na minha vida”, diz a jovem.

Todo o encontro foi registrado por estudantes de diferentes escolas de comunicação do Recife. As matérias, fotos e comentários estão disponíveis no blog da Mídia Cidadã que pode ser acessado no endereço http://www.midiacidada2008.blogspot.com/.
 Mariana Martins
Observatório do Direito à Comunicação


Campanha nacional reivindica a Democratização da Comunicação

22/Outubro/2008

Prosseguem nos próximos dias as atividades da Semana Nacional de Luta
pela Democratização da Comunicação. Na semana passada as discussões
sobre o processo de renovação das concessões de rádio e TV no Brasil e
o reforço à convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação
dominaram a pauta. O Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação
prepara para dezembro um Seminário Nacional sobre o tema.

Dominadas por interesses privados, as concessões de radiodifusão no
Brasil são públicas. As concessões de 184 emissoras de Rádio e TV
estão vencidas e a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e
Informática (CCTI) da Câmara dos Deputados ainda não concluiu a
atualização da legislação para tornar o processo de concessões mais
transparente.

Na semana passada houve audiências e atos públicos pela democratização
da Comunicação no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Paraíba, Rio
Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Nas
atividades houve, também, coleta de assinaturas ao abaixo-assinado que
circula nacionalmente pedindo que o governo federal convoque a
Conferência Nacional de Comunicação e crie um Grupo de Trabalho para
organizá-la.

Agenda de luta
Várias atividades em defesa da democratização da comunicação estão
agendadas para esta semana. Nesta terça-feira (21/10), houve um ato
público no Centro de Niterói (RJ). Também no município está programado
para o dia 24, às 16h, na Câmara de Vereadores, um debate sobre
digitalização e a comunicação pública.

A Semana da Democratização da Comunicação organizada pelo movimento
Pró-Conferência Nacional de Comunicação em Belo Horizonte encerra-se
nesta quinta-feira (2310) com mais uma edição do “Diálogos no
Conselho”, atividade promovida pelo Conselho Regional de
Psicologia/MG, às 19h30min, no Auditório Ruy Flores Lopes, com o tema
“A Psicologia em prol da Conferência Nacional da Comunicação”. E em
Aracaju, no dia 24, haverá um ato público na Praça Fausto Cardoso, em
frente ao Palácio do Governo Estadual, às 16h.

E já está agendado para o dia 22 de novembro, na Assembléia
Legislativa do RS, o Seminário Estadual Pró-Conferência Nacional de
Comunicação. Já para dezembro, a Comissão Pró-Conferência Nacional de
Comunicação está preparando um seminário nacional onde pretende traçar
estratégias e ações unificadas nos estados para sensibilizar o governo
a convocar a Conferência.

fonte: www.fenaj.org.br