Polícia Federal criminaliza rádios comunitárias

30/Outubro/2008

Caros Companheiros!!!

 Gostaria de informá-los que no dia 26/08/2008 fui “convidado” a comparecer no Departamento de Policia Federal de Brasília/DF para prestar esclarecimentos sobre o ofício n° 2288ª/08-DPF/URA/MG da Polícia Federal de Uberaba/MG, originado do IPL 483/06-DPF/URA/MG, no ofício indicava algumas perguntas a serem realizadas:

 1)      Conhece a entidade ABRAÇO?

2)      Desde quando?

3)      Qual a sua atividade naquela entidade?

4)      Facilita de alguma forma que rádios clandestinas voltem a funcionar mesmo sem autorização da ANATEL?

5)      Estimula de alguma forma resistência a ordens judiciais? Ou seja, defende que as rádios resistam à ordem judicial de busca e apreensão?

6)      Foi o autor do e-mail de fls. 20?

7)      Em caso negativo como o senhor explica que tal e-mail foi encaminhado ao Procurador da República?

8)      Qualquer outro questionamento julgado pertinente pela autoridade deprecada.

 Para recordação, esse inquérito surgiu por uma manifestação constantes em um email que provavelmente eu tenha enviado para diversos grupos de discussão da internet, sobre o caso das apreensões ocorridas em Uberaba/MG e o pedido de prisão da Companheira Fátima Gomes.  http://74.125.45.104/search?q=cache:9DOenkSqM6UJ:listas.rits.org.br/pipermail/cris-brasil/2005-July/002566.html+%22maria+de+f%C3%A1tima+gomes%22+alerta&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=6&gl=br

 Graças ao trabalho o trabalho que desenvolvemos como Dr. Gleibe Terra a companheira Fátima (Presidente da ABRAÇO/MG) foi absolvida da denuncia de colocar rádio comunitária no ar sem outorga governamental http://processual-mg2.trf1.gov.br/Processos/ProcessosSecaoOra/ConsProcSecaopro.php?SECAO=UB&proc=200538020019390

 Insatisfeitos com o resultado da demanda, agora buscam a responsabilização de dirigentes da ABRAÇO Nacional (mesmo estando fora da coordenação nacional desde 12/2007)

 Não satisfeitos com o processo de resistência de nossa emissoras comunitárias por todo o Brasil o MPF, ANATEL e PF iniciaram uma perseguição a nossas lideranças regionais (os casos de Horizontina/RS e Teixeira de Fritas/BA são emblemáticos), do ano passado para cá a intenção é responsabilizar as lideranças nacionais, uma afronta as garantias constitucionais e criminalização do Movimento Social.

 Divulgar esse fato é fundamental neste momento que se debate a questão do MST e Via Campesina, para demonstrar a prática dos órgãos de repressão.

 ABRAÇO FORTE

 JOAQUIM CARVALHO


Novas regras de concessão de rádio e TV no Uruguai

3/Outubro/2008

Wellington Costa

ABRAÇO-PB

O Governo Uruguaio editou recentemente novas regras para concessão de canais de rádio e televisão. Até aí, você pode se perguntar, o que isso tem a ver com o nosso Movimento? Bem, o caso, é que com as novas regras editadas pelo governo do Uruguai para concessão de canais de rádio e televisão foram elogiadas pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc).

 

O decreto 374, aprovado no dia 4 deste mês, se aplica as rádios e TVs comerciais, mas, se soma à Lei de Radiodifusão Comunitária aprovada em 2007 e compõe um esforço de governo para reformar o panorama da comunicação no país.

A nova norma estabelece padrões de transparência em todo o processo de concessão, igualdade de oportunidades e fomento à diversidade de meios.  Também regula a abertura do Estado à participação social no que diz respeito à comunicação e à concessão de canais para uso comercial.

A Amarc reconheceu que a nova legislação uruguaia está dentro dos melhores padrões interamericanos de direitos humanos e elogiou o Uruguai à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. (pulsar). Acredito que com essa notícia, “abre-se jurisprudência”, ou seja, mais um motivo para o nosso Movimento em prol da comunicação livre e comunitária se organizar melhor, arregaçar as mangas e partir par a guerrilha. Há mais de dezoito anos milito neste Movimento que, ora se mostra ativo, ora anestesiado, então me vem a pergunta aos nossos camaradas: O que estamos esperando?

 


O RadioTube já está no ar e a todo vapor! Não fique de fora! !

26/Setembro/2008

Com pouco mais de uma semana de vida, o site já têm cerca de 150 colaboradores plugados com a construção coletiva de informação. Esse é um espaço para rádios, estudantes, associações, comunicadores populares e demais atores da sociedade civil disponibilizarem conteúdo com temas ligados a cidadania. Além disso, o RadioTube pretende ser um espaço virtual de mobilização e articulação. É uma grande oportunidade para que pessoas e organizações, mesmo distantes fisicamente, troquem e se fortaleçam com o compartilhamento de informações e idéias.

O primeiro passo para a implantação do projeto foi dado com jovens de todo o país participando de três capacitações do RadioTube -  Rede de Cidadania no Rio de Janeiro que aconteceram nos dias 31 de julho e 12 e 13 desse mês. Além de técnicas de reportagem e produção de spots, os jovens aprenderam a utilizar todas as ferramentas do RadioTube e já estão ocupando esse novo espaço de produção coletiva de conhecimento. De volta às suas comunidades, eles estão disseminando essa idéia e disponibilizando textos e áudios que promovam o fortalecimento da cidadania.

O lançamento do RadioTube aconteceu no último dia 12 com a participação dos jovens que estiveram presentes nos três seminários de capacitação do RadioTube- Rede de Cidadania, além de comunicadores populares, parceiros institucionais e diversos representantes da sociedade civil. A iniciativa faz parte do projeto RadioTube – Rede de Cidadania que tem o patrocínio da Petrobras. 

Para conferir o que já está rolando e utilizar todos os recursos dessa rede social virtual, acesse www.radiotube.org.br.


Projeto Educare

18/Setembro/2008

A exclusão escolar e o envolvimento de crianças e adolescentes com as drogas são dois dos problemas que devem merecer a maior atenção possível não só das autoridades, mas também da sociedade. Bem, se as autoridades estão fazendo a parte delas não vou aqui comentar, mas, como cidadão, me acho na Obrigação, e com “O” maiúsculo mesmo, de fazer a minha parte, não por orgulho ou vaidade pessoal, mas por respeito às tantas famílias destruídas por essa chaga social e por amor aos meus descendentes.  

 

         Não vislumbramos outro caminho a não ser através da educação. Recentemente, fomos convidados por educadores e lideres comunitários do bairro de Várzea Nova, distrito da cidade de Santa Rita, localizada na grande João Pessoa, para discutirmos sobre esta pauta, já que é alto o envolvimento de jovens e adolescentes em atos não convencionais.

 

         Da discussão, surgiu o Projeto Educare, que consiste em abrir espaços de leitura na comunidade, na tentativa de criar entre crianças e adolescentes, o gosto pela leitura, como ferramenta para a mudança de atitudes no futuro.

 

         Para isso, estamos realizando essa campanha de doação de livros, para que possamos desenvolver o referido projeto, não apenas em Várzea Nova, mas em bairros de outras cidades da grande João Pessoa.

 

Se você se identifica com nossos propósitos, faça a doação de um livro!

 

Entre em contato conosco, que providenciaremos a coleta do livro.

 

Wellington Costa

Poeta/Escritor

83 – 8888 2677


Governo prepara medidas para agilizar outorgas

18/Setembro/2008

A Casa Civil está fechando um pacote com uma série de medidas para agilizar a outorga de rádios comunitárias no país. As medidas incluem sugestões ao projeto de lei nº 4.186/98, de autoria do deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP), até a contratação de mais funcionários para o Ministério das Comunicações, para reforçar a área de exame dos processos de solicitação de outorgas, esvaziada desde o governo passado.

As informações são do assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, que está coordenando os trabalhos. Ele disse que as medidas resultaram dos debates realizados por dois grandes grupos de trabalho, envolvendo técnicos dos ministérios, da Anatel e dos representantes de associações comunitárias. O texto com as sugestões está sendo analisado na área jurídica da Casa Civil. Tão logo seja liberado,o que se espera para a próxima semana, será debatido com os ministros para aprovação.

O tema é sensível ao governo. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já promoveu recentemente reuniões com os ministros Hélio Costa (Comunicações) e Dilma Rousseff (Casa Civil), além do presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, sobre o assunto. A intenção é agilizar a concessão, com regras mais claras.

Hoje, 3.247 rádios comunitárias obtiveram outorgas, porém um número muito maior espera pela tramitação do processo (13.213). As queixas das associações comunitárias não se limitam à demora na autorização. Elas reclamam, sobretudo, da utilização de uma única freqüência para atender às dezenas de milhares de comunidades brasileiras. Na visão das entidades, a lei atual exclui milhares de cidadãos do acesso ao serviço que institui, descumprindo o princípio constitucional da igualdade de direitos.

Proposta da Câmara

O Projeto de lei 4.186/98 está sendo relatado pela deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. O substitutivo está pronto, porém ainda não foi votado. A proposta modifica a Lei nº 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária e prevê, entre outras, o aumento de potência para ampliar o alcance das emissoras.

Outra modificação é o aumento do número de canais de um de operação nacional para três por localidade. A idéia é aproveitar as sobras de canais decorrentes da digitalização das rádios comerciais, que otimiza o uso do espectro de radiofreqüência. Outro ponto previsto no projeto é a periodicidade dos avisos de habilitação para, num intervalo mínimo de quatro meses. Segundo a relatora, desde a aprovação do serviço, o Minicom publicou apenas 27 avisos.

Além da periodicidade mínima, os avisos de habilitação poderão ter abrangência local, regional ou nacional e incentivar os serviços em determinadas áreas, como zona rural e indígena. A proposta prevê ainda a criação de um cadastro nacional das rádios comunitárias e o fim da exigência de pré-sintonia dos equipamentos de transmissão.

O substitutivo da deputada Maria do Carmo Lara propõe ainda a permissão de uso de publicidade nas rádios comunitárias, que é proibido pela legislação em vigor, e a discussão de uma política nacional para o setor, por um conselho no qual está assegurada a participação de representantes da sociedade e dos operadores, além de representantes da Câmara e do Senado.


RÁDIOS COMUNITÁRIAS – Estado é lerdo para definir autorizações

3/Setembro/2008

Divulgado no final do ano passado, o Aviso de Habilitação 06/2007 para inscrição de entidades interessadas em executar serviço de radiodifusão comunitária em 950 localidades encerrou-se no dia 3 de março. O prazo de inscrição, estendido por duas vezes, completou noventa dias e teve a adesão de 751 entidades em 25 estados do país. Uma observação atenta dos números divulgados pelo Ministério das Comunicações revela, contudo, não apenas o mapa de distribuição da demanda por emissoras comunitárias pelo Brasil, mas também e especialmente a lentidão dos processos.
Levantamento realizado pelo Observatório do Direito à Comunicação demonstra que uma em cada quatro das solicitações registradas neste processo de habilitação está há mais de cinco anos tramitando no ministério. Alguns dos processos registrados pelo ministério na lista das entidades inscritas têm data, inclusive, anterior à aprovação da Lei da Radiodifusão Comunitária (nº 9.612), em 1998.
Para o Aviso 06/2007, divulgado em 4 de dezembro de 2007, o Ministério das Comunicações considerou automaticamente incluídas no processo as entidades que já requeriam autorização em alguma das localidades atendidas pelo aviso. As associações nesta situação somaram 414, ou 55% do total de entidades inscrita. As demais (45%) estão registradas com data de 2008, sendo resultado direto da abertura do processo de legalização.
Os 337 processos iniciados em 2008 representam um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. De 1998 a 2007, a média de entidades requerentes ficava em torno de 37 por ano, com um aumento significativo nos dois últimos.
Entre 1998 e 2000, o levantamento feito pelo Observatório aponta 97 processos sem conclusão até a data presente. O tempo de espera de muitas associações chega há 10 anos.
Um elemento importante para a demora na condução dos processos é, certamente, o alto grau de burocracia presente nas instâncias governamentais, aliado à defasada estrutura do Ministério das Comunicações, abarrotado de processos para poucos funcionários administrarem.
Restrição à liberdade de expressão
Sensível à questão da lentidão dos órgãos competentes, a Justiça Federal do Piauí deferiu liminar proposta pelo Ministério Público Federal daquele estado e deu prazo máximo de 120 dias para que o Ministério das Comunicações aprecie os pedidos de autorização para a exploração dos serviços de radiodifusão formulados pelas associações comunitárias do Piauí, pendentes há mais de 18 meses.
A ação civil pública movida pelo procurador da República Kelston Pinheiro Lages contra a União escancara justamente a incapacidade do ministério de encaminhar os processos – o que, segundo a argumentação do MPF/PI, impede o exercício da liberdade de expressão e comunicação assegurado pela Constituição Federal.
Ação semelhante foi movida pelo Ministério Público no Maranhão. Lá, a Justiça Federal determinou prazo de 45 dias para a solução dos problemas.
‘A Ação Civil Pública no Piauí vem para fazer justiça. As associações vêm cumprindo o que a péssima lei solicita, mas a própria burocracia não cumpre o que está previsto na lei’, afirma Sofia Hammoe, da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc). ‘Tanto que várias associações estão esperando um parecer a 10 anos’, diz.
Para ela, as rádios comunitárias são os únicos meios para que uma comunidade possa colocar sua ‘visão de mundo’ em evidência e, portanto, se a burocracia é ineficiente, este direito está sendo cerceado.
É o que também acredita Paula Martins, da ONG Artigo 19, associação internacional que trabalha na defesa da liberdade de expressão. Para ela, seguindo os padrões internacionais, as obrigações do Estado brasileiro estão bastante aquém da necessária garantia dos direitos humanos. ‘Existe uma clara violação por parte do Estado, que aparenta ser proposital’, afirma.
Paula explica que existe uma situação geral de manutenção de irregularidades, pois não parece ser do interesse do ministério resolver a questão das rádios comunitárias. ‘A comunicação comunitária não é uma prioridade para o governo.’ Além disso, os trâmites legislativos são tantos que criam uma ambiente de situações desnecessárias.
O ministro das Comunicações Hélio Costa admite que existe uma defasagem em seu quadro de funcionários. Para amenizar o problema, criou-se uma força-tarefa para agilizar a análise dos processos. ‘Temos que reconhecer o esforço, mas isso deveria ter sido feito há muito tempo, e foi pouco’, diz Sofia. A coordenadora da Amarc ainda lembra que existem processos que acabam seguindo critérios diferentes, ou seja, aqueles que têm políticos e igrejas envolvidas. ‘Sabemos que existem autorizações que saem rapidinho.’


Deus e o diabo nas rádios comunitárias

31/Agosto/2008

Por Dioclécio Luz 
 
 
Infiel, observai o teu nariz melecoso, olhai para tua pele coberta de escarras, teu bolso cheio de larvas pútridas e te curva ao poder do clero. Liga o rádio e escuta a mensagem de Deus, falando do poder da igreja, das glórias da igreja; falando do supremo, onisciente e absoluto poder da igreja. E aí então, quem sabe?, te convenças de que a igreja fala em nome de Deus.

Em nome de Deus, as igrejas estão ocupando as rádios comunitárias. O poder é terreno, a riqueza é terrena, o dinheiro é terreno, a cobiça é terrena, mas os argumentos são baseados numa pretensa designação divina. O catolicismo e diversas denominações evangélicas estão usurpando o que pertence ao povo, em especial as emissoras comunitárias. A lei das rádios comunitárias nº 9.612/98 diz claramente, nos artigos 4º e 11º, que é proibido o proselitismo, isto é a pregação, a catequese, a difusão de cultos. Diz também que a emissora não pode ser dominada ou ter relação subalterna com instituição religiosa. Não é o que se vê neste mundo.

Ah, mas Deus é grande. Tão grande que consegue cegar as autoridades responsáveis pela concessão de autorização e os agentes da Anatel (geralmente tão eficientes) que atuam na fiscalização de conteúdo. Só uma explicação milagrosa e debochada como esta para justificar a existência de tantas rádios comunitárias nas mãos de credos, religiões e seitas religiosas, com autorizações carimbadas pelo Ministério das Comunicações (Minicom).

O Estado tem uma religião

Os casos são escancarados. No Distrito Federal, por exemplo, na cidade-satélite de Taguatinga, a primeira rádio comunitária a receber concessão está instalada numa igreja, a Catedral da Casa da Benção. A entidade é presidida pela mãe de um deputado distrital, Júnior Brunelli, o qual, por acaso, dá nome ao estúdio principal e tem lá sua foto com seu imenso sorriso pregado na porta. Tudo errado, portanto. O Minicom, porém, cego por um milagre de Deus – desse Deus, pelo menos – não conseguiu ver que a entidade que conseguiu a rádio, a Associação Casa da Bênção, é uma instituição religiosa e, por isso, dar a concessão para ela seria um ato ilegal. Mas deu.

São segredos que habitam o “mistério” das Comunicações há pelo menos 500 anos. O Minicom não percebeu, por exemplo, que a Igreja Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro, que conseguiu e obteve uma concessão de rádio comunitária, é uma igreja. Todo mundo sabe que aquilo (grande e rico) ali é uma igreja católica, os fungos que freqüentam o lugar percebem que aquilo é uma igreja, o cheiro de vela, os velhos adornos e os santos são de igreja católica, mas o Minicom não viu.

Como ocorreu isto do Minicom não ver que uma igreja é uma igreja, mesmo quando ela é imensa, rica, e está instalada num dos bairros mais nobres e famosos da cidade do Rio de Janeiro? Mistérios do poder.

Ainda no Rio de Janeiro, no município de São Gonçalo, tem outro caso. Uma “rádio comunitária” da igreja católica – autorizada e funcionando, integra a católica Rede Aliança de rádio. Um papel pregado na parede, carimbado pelo Minicom, porém, diz que ela é comunitária e, portanto, não derruba avião. A programação, naturalmente, é proselitista, católica, catequista… Isso é ilegal? Claro. Duas entidades disputavam a concessão para o lugar: esta rádio transgênica (comunitária-católica) e uma outra, comunitária de verdade, construída pela comunidade. Como o Estado brasileiro tem uma religião oficial (o catolicismo), o Minicom decidiu naturalmente ceder a concessão à igreja católica.

O crucifixo na Câmara

Talvez estas emissoras, falsas comunitárias, de tanto falarem em Deus tenham adquirido o dom da invisibilidade para o Estado brasileiro. Só assim se explicaria o fato da Anatel também não conseguir vê-las. A Anatel, que tem visitado rádios comunitárias e multado algumas boas por inserirem publicidade (conforme avaliação subjetiva e pessoal do agente), não consegue ouvir estas rádios que só falam de Jesus e Bento 16 (se é que há alguma relação entre os dois personagens).

O fato é que isso não tem nada a ver com divindade. A questão é política. O que há é uma batalha pelo poder. E a igreja usa seu poder e sua pretensa representação de Deus na terra para se dar bem, ampliando seu prestígio e seu patrimônio. Como faz há 2 mil anos. Não tem nada de novo nisso.

Ocorre que, como se nota, o Estado brasileiro não é laico (Montesquieu ainda não chegou ao Planalto). Deveria ser, mas não é. A Igreja católica ataca pelos dois lados. Sustenta uma banda dita progressista, com seus ícones de boa fé, e vai até o povo, impondo seus dogmas e seu poder, o que é aceito pela esquerda brasileira. A direita, porém, sabe que a Igreja sempre foi e será sua aliada; antes e depois de Ratzinger. E assim, as duas bandas da Igreja estão sempre no poder.

(Sugestão de pauta para uma mídia corajosa: o poder da Igreja católica nos tempos atuais. Em Brasília, uma catedral estabelece que ela é a única religião presente na Esplanada dos Ministérios; a igreja ocupa os melhores espaços das principais avenidas, W3 Norte e Sul, L2 Norte e Sul, onde montou templos e seus negócios de educação – as escolas; ela tem poder suficiente no Minicom para conseguir concessões de emissoras educativas e comunitárias, mesmo contra a lei. O plenário da Câmara dos Deputados tem, ao fundo, um crucifixo, símbolo maior da Igreja católica, lembrando aos parlamentares quem manda ali).

Quem ousaria dizer “não”?

Hoje, a Igreja católica é dona do maior latifúndio de rádios do país. Quase 600, no total. Possui rádios educativas, comerciais e até comunitárias. Só de rádios comunitárias, tem algo em torno de 300 concessões. Uma entidade especial foi criada dentro da CNBB (ícone intocável da esquerda brasileira) para usurpar o que pertence ao povo, a Associação Nacional Católica de Rádios Comunitárias (Ancarc). Isso de tomar as rádios comunitárias que pertencem ao povo é ilegal, é imoral, indecente, mas é fato.

A mesma CNBB se apresenta no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional como “representante da sociedade civil”. E é aplaudida por parte da esquerda por criticar o modelo de comunicação, o latifúndio da comunicação; exatamente o que ela tem de mais sagrado.

As intenções da Igreja são claras. E não são de hoje. Por exemplo, de 9 a 11 de junho de 2003, a ANCARC e a CNBB realizaram, no Santuário Maria de Schoenstatt, em Atibaia, São Paulo, o “1º Congresso Brasileiro de Radiodifusão Comunitária e Educativa” e o “7º Encontro Nacional de Rádios Comunitárias”. O objetivo: “priorizar o rádio como instrumento de evangelização, entendendo que a notícia que fala da vida e de esperança é também evangelizadora”. Isto é, fazer nas rádios comunitárias aquilo que a lei proíbe.

Como a Igreja conseguiu as concessões, mesmo indo contra a lei? Graças ao seu imenso poder. Questionar isso? Como? Quem – esquerda ou direita – ousaria dizer “não” à Igreja? Entende-se o medo. Afinal, dizer não à Igreja significa ser criticado nas paróquias, nas igrejas, por todo país. E assim – com estas ameaças aos governantes – ela vai aumentando seu patrimônio terreno e eletromagnético.

Omissão e inação

Ainda recentemente, dois pesquisadores – Venício Lima e Cristiano Lopes – apresentaram estudo comprovando uma verdade conhecida de quem atua na área: o Ministério das Comunicações e o Palácio do Planalto atuam sob influências políticas e religiosas. E fica por isso mesmo.

Por conta dessas e outras, o movimento das rádios comunitárias tem bem claro que o papel pregado na parede, a autorização oficial, não credencia a emissora como comunitária. É somente um papel concedido pelo Estado. Serve para segurar a repressão, mas não vale como comprovante de que a rádio seja decente. Algumas boas rádios, claro, têm esse papel na parede, outras boas rádios lutam por isso, mas elas, as boas rádios, sabem que isso não prova nada. Ou, pelo menos não prova o que deveria ser seu objetivo, que ela é comunitária.

Será que um dia – quem sabe, antes do Apocalipse – as poucas pessoas de boa vontade neste governo (uma dúzia?) conseguirão fazer com que o Estado reconheça o direito à comunicação de todo ser humano, e não apenas dos ricos? Ninguém crê nisso. Pelo andar bovino da carruagem em meio ao brejo, é ilusão esperar algo do governo Lula para as rádios comunitárias. Afinal, desde a posse ele tem feito tudo que é possível para tornar pior a situação. É paquidérmica a omissão e inação do governo diante do que ocorre no mundo cá fora, onde os viscondes e barões instalados no Palácio jamais ousariam pôr seus delicados pezinhos.

Ambição sem limites

É preciso reconhecer, porém, que o movimento nacional errou ao não investir na base, capacitando as rádios comunitárias, cristalizando junto ao povo o conceito de rádio comunitária, identificando as mobilizações mais honestas e denunciando as desonestas, as picaretárias. Infelizmente, alguns líderes não quiseram dar o saber e o poder ao povo. O movimento errou ao não denunciar e desqualificar, logo no início, a pretensão da Igreja católica de se apossar das rádios comunitárias; optando pelo silêncio, ou, o que é pior, em nome da jogatina política, em alguns momentos fazer parceria com entidades como a Ancarc, uma aberração na área. Errou, como muitos de boa intenção, ao acreditar que o governo Lula, mesmo com suas enrolações, fraquezas, burrices, grosserias, repressões, um dia iria fazer algo pelas rádios comunitárias. Por conta desses erros, proliferaram as picaretárias, nas mãos de empresários, espertalhões, igrejas, políticos – coisas que o que o movimento não aceita.

Felizmente, em contraponto a estas aberrações, aqui e ali pontuam rádios comunitárias de qualidade, construídas pelo povo, pela comunidade organizada, ensinando o que é comunicação popular, democracia, direito humano.

Errar, porém, é humano. Desumano, anti-cristão, é uma instituição fazer uso do seu poder e, apelando para argumentos cristãos, tomar para si o que pertence a todos. Se existe cristianismo, ele está bem longe destas instituições que se tornaram ricas e poderosas às custas do povo e ainda insistem na ampliação deste poder. Uma ambição sem limites. Em alguns lugares, liga-se o rádio ou a TV e só há pregações, missas, sermões, cultos. Ocupar a rádio comunitária é um crime que a história não esquecerá.

Zaratustra, filho alucinado de Nietzsche, se perguntaria: é Deus ou o Diabo quem ocupa as ondas do rádio e da TV?

Ó meu Deus, quem te fala é um ateu. /Responde por carta ou manda um email, /Telefona, manda um recado. /Vai, me diz, seja justo: /Da igreja e sua cobiça quem nos salva?


Evangélicos são beneficiados com canal de rádio comunitária em Fortaleza

31/Agosto/2008

Há 15 anos servindo à comunidade do Conjunto Palmeiras e entorno – funcionando primeiro com alto-falantes e só nos últimos 3 anos através de frequência modulada – a Rádio Santo Dias, de Fortaleza (CE), foi fechada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) há dois meses.
Desde que passou para o “dial”, a rádio recebeu várias visitas da Anatel, com ameaças constantes de apreensão de equipamento. Em 2001 foi lacrada e ficou 3 meses fora do ar, até que seus locutores resolveram continuar o trabalho e a reabriram por conta própria. Há um ano e meio, a Santo Dias pediu a concessão da frequência 87,9 FM – mas ao invés de regularizar a situação da comunitária, a agência lacrou o transmissor novamente e multou a Rádio em R$ 1.858,00 pelo rompimento do lacre em 2001.
A política da Anatel para as comunitárias é confusa. A Rádio Santo Dias, por exemplo, não conseguiu a concessão apesar dos 15 anos de funcionamento na comunidade; já a Rádio Comunitária Maranata FM, com seus poucos meses de vida, adquiriu rapidamente a frequência 87,9 FM – justamente a mesma em que funcionava a Santo Dias. A Maranata FM é de propriedade de evangélicos sob orientação do Pastor Calebe.


PRENDERAM TODOS OS PASTORES!

30/Agosto/2008

A Polícia Militar de Cachoeirinhas (RS) entrou na Rádio Renascer, comandada por um Coronel. Na rádio estavam 3 locutores que foram presos e levaram todos os equipamentos, incluindo o transmissor de 150 watts, sem mandado de busca e apreensão. A Brigada Militar ainda prendeu meus pastores, que ficaram 48 horas na Polícia Federal. Foram algemados e presos no quartel até a chegada da Polícia Militar.  Não paguei a fiança deles. Tive que fugir porque é a segunda vez que a rádio é apreendida. Agora estou foragido, eu e minha esposa Catiele. A Polícia quer nos prender. O que faço agora? Nunca vi a Brigada Militar prender rádio FM comunitária sem a Anatel.

OBS: Isso aconteceu no dia 24 de setembro de 2007, na cidade de Cachoeirinhas, Rio Grande do Sul. O aflito pastor diz que sua rádio é comunitária, mas não é. Operava com potência de 150 watts e destinava-se exclusivamente a fazer proselitismo religioso.  Não se justifica a truculência policial nem a prisão dos pastores, mas é preciso que o movimento de rádios comunitárias reflita e procure tomar uma posição a respeito de falsas comunitárias como esta, que enodoam ações libertárias tão bonitas de quem realmente pensa em rádio comunitária de verdade.
A Rádio Renascer atendia no telefone (051) 3438.2296, e operava na freqüência 100,1 MHZ. renacer@hotmail.com
www.renacerfm.com.br


Em breve, sai a rádio e TV da UFPB

10/Agosto/2008

O reitor da Universidade Federal da Paraíba, professor Rômulo Polari, confirmou  que teve a confirmação do Ministério da Educação de novo canal de TV aberta para a instituição, cuja portaria regulamentando deverá ser publicada ainda em agosto.

Polari explicou que no processo consta na seqüência a conquista de um canal de rádio FM. “A decisão já está tomada e vamos ter em breve, além da TV de canal aberto um outro canal de rádio FM”.

Segundo o reitor, o Pólo Multimídia da UFPB já está se preparando para expandir as ações de produção de novos programas a serem veiculados quando da consolidação do canal de TV.

O portal comprovou ainda o diretor do Pólo, David Fernandes, viaja no meio da semana para São Paulo, onde discutirá novos procedimentos sobre a TV Universitária.