A RÁDIO E A TV DA UNIVERSIDADE

Onde estão a Rádio e a TV da Universidade? Assinalo a falta que ela faz aos estudantes do curso de Comunicação Social da própria universidade e que se vê lesado como contribuinte, afinal é mais um órgão público que sumiu sem que a instituição gestora desse nenhuma satisfação à sociedade. Também acrescentamos à falta que ela faz à população, pela qualidade de sua programação.

Não estamos aqui para responder, mas para fazer algumas especulações. Existem algumas pistas pelas quais podemos fazer algumas conjecturas. Senão vejamos: a concessão dos órgãos de comunicação, isto inclui tanto o Rádio Como a TV, se dá pela liberação do sinal onde se transmite o espectro eletromagnético, no rádio é freqüência onde os receptores recebem o sinal e na televisão é o canal.

Pois bem, a Rádio Universitária operava na freqüência de 107.7 FM e a TV Universitária operava no canal 4 UHF, que, aliás, nunca funcionou com programação local. Nunca deixou de retransmitir o sinal da TV E, atual TV Brasil. Não sabemos o motivo pelo qual a Rádio saiu do ar. O fato é que nos últimos anos, a freqüência de rádio e o canal de televisão foram apropriados pela Rádio e TV Miramar.

Chegamos ao X da questão: a possessão de uma concessão pública a uma instituição pública regida pela lógica do direito público, por uma empresa privada regida pelas leis de mercado. Regidos pela lógica mercadológica, a Rádio e a Televisão Miramar não respeitam os propósitos culturais da TV Brasil, que é uma TV pública. A programação local é de uma falta de qualidade de fazer dó.

E não pára por aí. A TV Miramar desrespeita a função pública do jornalismo. A sua programação não é release ou merchandising, é apologia direta mesmo às determinadas instituições. Inúmeras vezes, ela sai da programação nacional para exibir programas locais, de qualidade desejável, seguindo seus propósitos mercadológicos e não cumprindo com as finalidades de uma concessão de TV pública. Aqui na Paraíba, a TV Miramar está na contramão até TV Cabo Branco, subsidiária Rede Globo, que faz a cobertura dos eventos culturais do estado.

Se a TV Miramar adota estes desvios de objetivos, a Rádio Miramar escancara a sua programação para veicular os produtos que não são referenciais descentes da cultura nordestina e brasileira, pois contribuem para a vulgarização de comportamentos dos jovens e descaracterizando-os como pessoas. E ainda contribui para descaracterizar a cultura brasileira, porque ela faz a massificação de um tipo de música de péssima qualidade, mas dizendo que é popular.

Já é hora da Universidade Federal da Paraíba retomar o que lhe é de direito. Uma instituição de seu porte necessita de uma estação de rádio e de um canal de televisão. A população paraibana não pode ficar refém dos propósitos comerciais das empresas que encaram a comunicação na lógica exclusivamente mercadológica. Como cidadãos, temos o direito a uma informação isenta e a produtos artísticos escudados em nossas raízes culturais. A rádio e a televisão comercial não têm cumprido este preceito constitucional. Necessitamos da rádio e da televisão pública para não sermos vítimas do rolo compressor da lógica mercadológica. Por fim necessitamos delas porque defendemos a pluralidade de outros projetos.

(*) Francisco de Assis Vilar é geógrafo e pesquisador da Fundação Casa de José Américo, colabora com o blog: ancomarcio.com e recebe críticas com sugestões no e-mail: assisvilar@hotmail.com

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