RÁDIO: ARMA APONTADA CONTRA O OUVINTE

Por Petrônio Souto – www.cemreis.com.br

Podemos dizer que o rádio de João Pessoa parou no tempo. É que o trabalho desenvolvido por Otinaldo Lourenço na extinta Arapuan AM, ainda dos anos 60/70, quando o rádio da capital alcançou o seu apogeu, até hoje não foi superado por ninguém.

Otinaldo, o grande reformador do rádio paraibano, não inventou a roda. Limitou-se a formar uma excelente equipe, oferecendo aos ouvintes um cardápio bastante simples: música, esporte e notícia. Tudo inspirado, como ele próprio afirma, na Rádio Jornal do Brasil e na BBC de Londres.

Da velha Arapuan até os nossos dias, se tivemos avanços extraordinários em matéria de tecnologia, constatamos, em sentido inverso, uma queda vertiginosa da qualidade, do conteúdo, fenômeno que se deu mais por culpa dos novos proprietários do que dos novos profissionais.

A verdade é que o grande problema do rádio continua sendo a concessão. Nem a Constituição de 88 foi capaz de melhorar substancialmente o sistema de concessões. Sobretudo a partir do governo Sarney, que ironicamente inaugurou a Nova República, as concessões de rádio e televisão se tornaram moeda de troca no Congresso. Coincidência ou não, concessões de rádio e TV têm saído quase que exclusivamente para políticos ou seus prepostos.

Dessa forma, os antigos proprietários e executivos de rádio, homens idealistas, vocacionados, identificados com o ambiente de trabalho, quase todos com grande intimidade com o microfone, foram, em pouco tempo, afastados do seu habitat natural, digamos assim. Essa é a origem de todos os problemas que o rádio enfrenta atualmente.

Sem a tão necessária democratização da concessão, aquele rádio preocupado com a “promoção humana e social das massas, com a elevação do espírito crítico do ouvinte”, como sonhava o antropólogo, médico e poeta Roquette Pinto, foi substituído pelo rádio que pratica abertamente o mais vergonhoso controle social, na medida em que difunde apenas a alienação e a violência.

Mais do que nunca, o rádio de hoje, com honrosas e raríssimas exceções, é apenas uma arma apontada contra o ouvinte. Nada mais que isso.

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