Uma bandeira em favor das rádios comunitárias

Terminou ontem, 1º de outubro, o prazo para que as rádios comunitárias francesas enviassem ao Conselho Superior do Audiovisual – Conseil supérieur de l’audiovisuel – (CSA) a documentação necessária para solicitar uma licença para operarem como Rádios Digitais Terrestres.

Grande parte das emissoras não o fez devido ao alto custo que o processo de digitalização do sinal acarreta a suas operações.

Na França existem 600 rádios comunitárias oficiais, dentre as quais 307 são representadas pelo Sindicato Nacional das Rádios Livres – Syndicat national des radios libres – (SNRL), que entende que suas afiliadas deveriam sim enviar a documentação de solicitação mesmo que o custo de operar o sinal digital seja alto.

Em Lyon o custo médio para uma rádio comunitária operar o é de € 20 mil por ano, com o sinal digital estima-se que este custo seja o dobro.
Aqui no Brasil, no ano passado, discutiu-se sobre o mesmo problema. As rádios comunitárias não teriam acesso ao benefício da nova tecnologia, pois o custo para a modernização da aparelhagem poderia chegar a R$ 1 milhão, dependendo da estrutura que a emissora possuísse.

Problemas tecnológicos e financeiros à parte, vejo que o problema do Brasil em relação às rádios comunitárias é bem maior que a atualização de processos de transmissão.  Segundo dados da Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço), em 2007 mais de 20 mil pedidos de operação encontravam- se parados, aguardando a outorga do Ministério das Comunicações.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 48,6% dos municípios brasileiros existem rádios comunitárias, superando pela primeira vez as emissoras comerciais de FM (34,3%) e as de AM (21,2%), todavia os outros 51,4% dos municípios não contavam com uma emissora sequer.

As rádios comunitárias deveriam ser vistas como o oxigênio cultural das atuais empresas de radiodifusão, em sua maioria, presa a modelos comerciais e paradigmas culturais estratificastes. Para mim, as rádios comunitárias têm um papel fundamental não só nas comunidades que atuam, mas, sobretudo para a revitalização do mercado como um todo. São escolas para locutores, operadores e técnicos, além de palco para novos talentos.

Percebo também que são escolas de como se fazer rádio, onde tem uma rádio comunitária, tem público fiel, tem identificação com o ouvinte, tem vitalidade e diversidade.
Se há uma bandeira que deveria ser levantada no segmento de rádio no Brasil, esta deveria ser a simplificação e a aceleração da outorga das rádios comunitárias. (NRJ)

Fonte: Le Monde / Agência Brasil

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