Diretores da ABRAÇO participam de assembléia em Mari

 

 

 

Membros da associação que mantém emissora discutiram reforma estatutária

Membros da associação que mantém emissora discutiram reforma estatutária/Foto: Rosangela Santos

 

 

 

Por Dalmo Oliveira

 

            O presidente da ABRAÇO-PB, José Moreira, e os coordenadores Rosângela Santos e Dalmo Oliveira, participaram, no último domingo, dia 7, na cidade de Mari, no brejo paraibano, da assembléia extraordinária da Associação mantenedora da rádio comunitária Araçá FM.

            O evento foi iniciado por volta das 9h e encerrado às 12h40, com a participação de cerca de 20 pessoas. A assembléia apreciou parte da nova proposta de regimento interno da diretoria da entidade, devendo aprovar definitivamente o documento numa reunião agendada para o próximo dia 14. Foram discutidas ainda questões relacionadas ao afastamento de radialistas do quadro da emissora, pauta que motivou a ida dos dirigentes da ABRAÇO à cidade.

            O regimento interno define normas para o ingresso de novos sócios na entidade, bem como de punições aos associados que descumprirem o que determina o estatuto e o regimento da entidade. O documento-base foi proposto pelo atual presidente da Associação da Radio Araçá, Severino Ramos do Nascimento, e prevê por exemplo, que para a aceitação de novos filiados será necessária a indicação de, pelo menos, dois associados efetivos do quadro da ONG.

            No momento mais tenso da assembléia, o presidente Ramos confrontou-se com o radialista Professor Josa, que o acusa de provocar o afastamento dele e de outros três locutores da emissora, por conta de desavenças ocasionadas durante a última eleição municipal.

            Josa trouxe à assembléia um documento assinado por sonoplastas da emissora comunitária, confirmando o uso dos estúdios e equipamentos da Araçá FM para a elaboração e edição de programas políticos eleitorais e vinhetas para candidatos a vereador no município.

            O presidente Ramos reafirmou na presença de todos que havia anunciado, dentro do programa que apresenta na emissora, o pedido à assembléia da entidade de afastamento dos locutores que tinham usado o espaço da emissora para atacar publicamente diversos parlamentares e a ele próprio.

            Ele leu trechos de um correio eletrônico que circulou na internet atacando-o moralmente e aos deputados Luis Couto e Rodrigo Soares (PT). “Não se pode aceitar que esse tipo de linguajar chulo possa ser usado por comunicadores comunitários”, disse Ramos, que pretende representar judicialmente seus detratores, por calúnia, injúria e difamação.

            Ramos negou ser servidor público, disse que sobrevive de suas atividades empresariais e que não depende dos políticos citados na nota, apesar de apoiá-los integralmente pelo fato de estarem filiados ao mesmo partido, o PT.

            Já Josa exigiu que a denúncia de uso das instalações da emissora por candidatos à Câmara de Vereadores de Mari seja investigada, e responsabilizados os que participaram das gravações, assim como o presidente em exercício à época, Severino de tal, por conivência com os atos que Josa considera ilegais. “Se os locutores erraram eles também cometeram erros. Não se deve ter dois pesos e duas medidas”, diz.

            O radialista também considerou um fato grave o presidente Ramos ter usado os microfones da Araçá FM para anunciar ao vivo que afastaria os locutores. “As coisas deveriam ter sido tratadas internamente e não colocar no ar como Ramos fez. A atitude dele inviabilizou totalmente a possibilidade de voltarmos a atuar na rádio novamente”, desabafou Josa.

            Ramos diz que iria colocar a discussão para assembléia, “mas como eles já anunciaram que não querem mais atuar na rádio, entendo que a discussão está encerrada”, conclui o líder comunitário. Ele comentou ainda que considera anti-ético o fato de os locutores afastados estarem fazendo uma campanha negativa contra a Araçá FM em outras emissoras comerciais da região.

            Ramos diz que a emissora comunitária tem sido alvo freqüente de campanhas de boicote, determinadas pela gestão municipal, pela Câmara de Vereadores e por outros setores da sociedade mariiense. “Eles já proibiram os empresários locais aliados de anunciar na emissora, mas esquecem que a rádio não depende só de dinheiro, mas principalmente do trabalho voluntário de seus sócios”, diz Ramos.

            O presidente da ABRAÇO-PB, José Moreira, fez várias intervenções durante a assembléia. Ele lembrou o caráter democrático da radiodifusão comunitária e da importância de se apurar as denúncias antes de colocá-las no ar. “Você pode prejudicar um cidadão com um simples comentário e pra concertar depois fica mais difícil”, lembra Moreira.

            Ele colocou a entidade à disposição da comunidade que mantém a Araçá FM há mais de oito anos no ar, reforçando inclusive o convite para que a emissora de associe à ABRAÇO-PB. “Precisamos fortalecer as entidades que defendem a democratização da comunicação. Em 2009 vamos investir ainda mais na formação técnica e política dos comunicadores que atuam junto às emissoras comunitárias”, diz.

            Para o coordenador de comunicação da ABRAÇO-PB, Dalmo Oliveira, episódios como este em Mari servem apenas para reforçar a tese de que as emissoras comunitárias são também espaço de disputa de poder. “A diferença é que aqui as disputas são outras e os atores principais não são os políticos profissionais, mais os cidadãos envolvidos nos principais problemas sociais. A comunidade precisa estar atenta, mobilizada e participando do dia-a-dia das rádios para evitar que elas sejam manipuladas por grupo A ou B”, comenta.

            Ele considera que o mais importante é que a Araçá FM continue garantindo o amplo espaço para a participação do maior número possível de segmentos da comunidade na grade da programação, pluralizando o acesso ao debate público e da produção de conteúdos.

            Outros membros da diretoria da emissora comentaram que em Mari ocorre um fenômeno curioso: nos programas que a Prefeitura e a Câmara mantém na rádio grande parte das discussões gira em torno da tentativa de atacar a direção da emissora. “Eles esquecem de falar dos problemas da cidade para atacar apenas Ramos”, diz um dos participantes da assembléia.

            Para os diretores da entidade radiofônica os poderes públicos e alguns poderosos de Mari estão empenhados em fechar ou controlar a emissora por conta das inúmeras denúncias que a Araçá FM leva ao ar todos os dias em sua programação, o que incomoda determinados grupos privilegiados da cidade.

 

Uma resposta para Diretores da ABRAÇO participam de assembléia em Mari

  1. Valdenis Silva dos Santos disse:

    Olá amigos da ABRAÇO-PB,é muito bom ter uma entidade como a ABRAÇO que da uma enorme iportanci a Radiodifusão comunitaria em nosso Estado.

    Valdenis Silva dos Santos
    PRESIDENTE da ACMMDE
    Rua São João,116 Centro
    Duas Estradas-PB
    CEP:58265-000

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